Se você gosta de vampiros e busca uma experiência totalmente fora da caixa, The Blood of Dawnwalker é o seu próximo vício. Desenvolvido pela Rebel Wolves e publicado pela Bandai Namco Entertainment, o jogo já está disponível para PC via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Em The Blood of Dawnwalker, o jogador vive na pele de Coen, um jovem que reside com sua família em um pequeno vilarejo no Vale de Sangora. Por um grande infortúnio, ele é transformado em vampiro pelas mãos, ou melhor, presas de Brencis, o lorde que, com sua brutalidade e força, dominou toda a região. O que ele não esperava era que Coen se tornaria algo mais que um vampiro: um Dawnwalker, capaz de andar tanto sob a luz do sol quanto na escuridão da noite. Agora, em busca de sua família e de vingança, o jogador tem 30 dias para ir atrás de Brencis.
Uma nova mordida no gênero
Ao acordar após perder para Brencis e perceber que Aanca o salvou, The Blood of Dawnwalker revela que, em 30 dias, o vilão usará a família de Coen como sacrifício em um ritual para ascender a algo maior. Com isso em mente, fica claro que o novo foco é ficar mais forte, forjar alianças e descobrir formas de enfraquecê-lo. Uma contagem regressiva de 30 dias permanece no canto superior da tela, mostrando que o tempo é limitado e que cada ação deve ser estratégica.
Mas isso significa que há apenas 30 dias de jogo? Exatamente. O jogador tem 30 dias e 30 noites para fazer tudo o que julgar útil e, então, enfrentar e derrotar Brencis. Porém, o jogo não utiliza tempo real para contar a passagem desses dias, mas sim um sistema baseado nas ações do jogador. Andar pelo mapa e explorar tudo o que é possível não consome tempo, já ações que interagem com NPCs ou com o mapa, alterando-o de alguma forma, fazem o tempo avançar.

Assim, missões, restauração de partes do mapa, certas conversas e enfrentamentos contra inimigos-chave fazem o tempo progredir. Isso gera um elemento muito único em The Blood of Dawnwalker: a urgência por realizar algo útil para o objetivo final. Na prática, o jogador precisa sempre avaliar se aquela missão ou aquele avanço na história de um NPC será realmente útil para a meta final.
Não apenas o mundo reage à influência do jogador, como Brencis também nota seu progresso. Quanto mais o jogador move o mundo contra ele, mais obstáculos são colocados em seu caminho. Esse é o sistema de infâmia: toda ação contra Brencis a aumenta. Em certos pontos, o sistema sobe de nível e, ao amanhecer, novos decretos entram em vigor.
No início, são coisas básicas, como um ou outro cavaleiro rondando as ruas. Mas, quanto mais a infâmia cresce, mais impactantes os decretos se tornam, a ponto de todos os cavaleiros reconhecerem o jogador e sempre entrarem em combate, tornando andar pela cidade uma tarefa extremamente desgastante.
A cereja no bolo
The Blood of Dawnwalker não se contentou em criar algo único apenas em seu sistema de progressão. Os desenvolvedores precisavam ir além e entregaram um combate que beira a perfeição de tão prazeroso que é jogar. Em sua essência, ele é bastante básico: o jogador pode atacar, defender e desviar. Porém, não satisfeitos com o simples, os criadores adicionaram um sistema direcional de ataque, alto, médio e baixo, que recompensa quem sai do óbvio e o utiliza ao máximo.
Esse sistema pode parecer complexo, mas na prática é tão bem executado que se torna natural. Funciona da seguinte forma: ao atacar, o jogador pode escolher de qual direção virá o golpe. Caso o inimigo não esteja defendendo aquele ponto, o golpe acerta, permitindo uma cadeia de ataques sem que o oponente consiga bloquear.
Já para a defesa, existe um sistema semelhante. Sempre que um inimigo inicia um ataque, um indicador mostra de qual lado o golpe virá. Se o jogador conseguir defender no lado certo e no tempo certo, abre-se uma janela para um contra-ataque.

É possível atacar e defender sem utilizar esse sistema direcional, mas isso consome muito vigor. Portanto, se o jogador decidir se arriscar e usar a mecânica direcional, The Blood of Dawnwalker o recompensa: ações que acertam o direcional não gastam vigor, transformando o jogador em uma máquina de combate, alternando entre ataque e defesa e usando os próprios golpes do inimigo a seu favor.
Esses sistemas ficam ainda melhores com dois outros elementos. O primeiro é o sistema de itens, que melhora o jogador em aspectos numéricos como dano, armadura e vigor. O segundo são as três árvores de talentos: uma focada na forma humana, outra na forma vampírica e a última na espada, a arma utilizada em ambas as formas. É nessas árvores que o jogador libera e melhora habilidades de combate, atributos e capacidades de exploração.
Explorando o vale
Aqui reside toda a progressão de The Blood of Dawnwalker, pois, ao sair do prólogo, o jogador recebe total liberdade para explorar o que desejar. Como mencionado anteriormente, a exploração em si não consome o tempo dos 30 dias, apenas as interações com o mundo o fazem. Dessa forma, o jogador é livre para invadir acampamentos, ir aonde sentir que deve e, o mais importante, escalar as torres.
Essas torres funcionam como pontos no mapa que, ao serem escaladas até o topo, revelam todos os pontos de interesse da região, poupando tempo e guiando o jogador pelo caminho mais prático, sem que seja necessário explorar às cegas. Claro, The Blood of Dawnwalker não entrega toda a informação de imediato: ele apenas marca os pontos no mapa, sem revelar o que são, cabendo ao jogador ir até eles e descobrir.

O ciclo de dia e noite é muito bem definido e também impacta a exploração, pois certos eventos exigem um horário específico para serem realizados. É aí que se percebe a diferença entre estar na forma humana e na forma Vrakhir. Durante o dia, a exploração acontece de forma mais horizontal, já que, sem a forma transformada, o jogador perde a habilidade de avanço. Além disso, durante o dia, encontram-se apenas inimigos humanos e animais, pois, diferentemente do protagonista, os outros vampiros só podem sair à noite.
O jogador é sempre encorajado a explorar por terra, pois, embora seja possível viajar rapidamente entre santuários, isso faz com que se perca parte importante do conteúdo, como, por exemplo, interceptar transportes de humanos destinados a servir de alimento para vampiros. Essas ações geram infâmia e atrapalham os planos dos três generais de Brencis.
Esses três generais estão presentes desde o início de The Blood of Dawnwalker, e fica claro que caçá-los é um dos grandes objetivos a serem cumpridos dentro do período de 30 dias, além de ajudar a enfraquecer Brencis. É claro que isso fará a barra de infâmia aumentar consideravelmente, já que o jogador estará enfrentando diretamente o lorde vampiro.
A inovação de The Blood of Dawnwalker
A Rebel Wolves foi bastante ousada ao escolher um gênero dominado por grandes nomes que são lendas desde seus lançamentos, pegar a fórmula consagrada por eles e fazer adições que, para muitos, vão contra os fundamentos desse estilo de jogo. É quando mentes que pensam fora da caixa fazem isso que vemos algo incrível e totalmente único nascer.
The Blood of Dawnwalker, com sua mecânica de 30 dias, traz de forma simples um peso enorme para cada ação do jogador, já que o tempo é curto para salvar sua família das mãos do vilão. O contador sempre presente na tela amplifica esse peso, pois o tempo não volta e a sensação de estar fazendo algo inútil para o panorama geral pode surgir rapidamente.
Em questões técnicas, The Blood of Dawnwalker tem uma performance esperada de um grande jogo moderno feito na Unreal Engine 5, ele exige um computador mais potente para ter um bom desempenho. Sua trilha sonora não é nada marcante, mas faz um ótimo trabalho ao criar a ambientação perfeita. Portanto, mesmo que não se destaque, ela cumpre perfeitamente o papel de imergir o jogador. A triste notícia para nós, brasileiros, é que o jogo não conta com dublagem em nossa língua nativa.
The Blood of Dawnwalker permite focar apenas em avançar contra Brencis sem parar e finalizar a história rapidamente, mas isso aumenta consideravelmente a dificuldade. Portanto, explorar o mapa, fazer novas alianças e descobrir mais sobre o mundo é essencial, não apenas pela força adquirida com itens melhores e mais níveis, mas porque o mundo de The Blood of Dawnwalker é muito vivo, com histórias em todos os cantos. Quanto mais se joga, mais se percebe que o protagonista é apenas uma vítima em meio a inúmeras outras pelo vale.

Existem múltiplos caminhos para chegar ao fim de The Blood of Dawnwalker, e cabe ao jogador escolher o que parece mais adequado à sua visão do que é certo. É possível se alinhar a um grupo revolucionário que luta contra o vilão, conhecer uma antiga conhecida de Brencis que deseja seu fim ou, caso não haja interesse em fazer novos aliados, elevar o nível de infâmia ao máximo e ser convidado para um duelo.
Com múltiplas possibilidades de finalização, inúmeras missões pelo mapa e muitos segredos a desvendar, fica claro que The Blood of Dawnwalker foi feito para oferecer experiências variadas com base nas rotas escolhidas e nas decisões tomadas ao longo do caminho. O valor de rejogabilidade é alto, e a vontade de zerar o jogo e explorar tudo o que não foi visto, ou tomar uma decisão crucial diferente, é certamente grande.
A cereja do bolo vem após zerar The Blood of Dawnwalker: quadros e narrações mostram o resultado de todos os esforços do jogador, revelando o quanto um simples homem em uma missão de vingança é capaz de mudar a vida de toda uma população, e que nem sempre aquilo que se busca tem um resultado positivo. As consequências das decisões são, por vezes, piores do que tudo aquilo que se tentou destruir ao longo da jornada.
The Blood of Dawnwalker: The Blood of Dawnwalker é um RPG de vampiros que inova o gênero com sua mecânica de 30 dias, combate direcional preciso e múltiplos finais. Com um mundo vivo, repleto de escolhas significativas e consequências reais, o jogo entrega uma experiência imersiva e desafiadora. Uma obra ousada que honra suas inspirações e cria sua própria identidade. – PolacoPesos