Nova iteração da franquia entrega duelos memoráveis e um combate extremamente viciante
Após 14 anos de molho, com somente alguns remasters para lembrar que a franquia existia, Onimusha: Way of the Sword marca o retorno mais que triunfal de uma série que conquistou muitos no PS2 e influenciou o gênero de ação em jogos.
O jogo acompanha a história de Miyamoto Musashi — um samurai japonês histórico, que viveu no início do período Edo — em uma Kyoto tomada pelos Genma nesse universo de Dark Fantasy. Com o âmbito de ser o melhor samurai de todo Japão, ele se depara com um destino fatal e lhe resta apenas salvar o plano terreno de se tornar o Inferno V2.
A narrativa de Onimusha: Way of the Sword é instigante do início ao fim, com personagens carismáticos, ângulos cinematográficos, a mesma excelência que já vimos tanto em Pragmata, quanto em Resident Evil 9 Requiem. Entretanto, Onimusha traz uma riqueza maior em seu enredo pelo fato de utilizar muito de suas lendas e folclores japoneses em basicamente todas as missões, sejam principais ou secundárias.
Contudo, não são somente as cenas épicas que sustentam o jogo, mas a junção disso com seu combate corpo a corpo.
Uma flor não é bela com apenas uma pétala.

O caminho da Espada
O combate corpo a corpo de Onimusha: Way of the Sword é assustadoramente viciante, o modo como ambos os inimigos e o próprio Musashi reagem com certos golpes e aparos, é muito bem responsivo e mimetizam um combate de katana que eu gostaria que fosse igual em Ghost of Tsushima/Yotei.
Equipado com sua espada e arco, ele também conta com uma manopla com poderes sobrenaturais. Diferente de um Hack and Slash como Devil May Cry, Onimusha: Way of the Sword traz um combate que beneficia o jogador que se adapta e não avança na primeira chance que tem apertando tudo para tentar sobrepujar o inimigo.
O peixe se esgota menos ao nadar a favor da correnteza.
Semelhante a Sekiro (mas mais fácil), é possível defender e aparar (parry), além disso Onimusha: Way of the Sword apresenta a mecânica Issen, um contra-ataque de último instante que exige atacar no momento exato antes do golpe inimigo conectar. Sem dúvida, a melhor parte do jogo, um golpe de alto risco, mas muito recompensador.
Uma vez que dominado o Issen ou o Break Issen (um outro parry que arranca mais da barra de postura) a dificuldade do jogo se torna mínima. Alguns chefes ainda podem dar um trabalho enquanto você aprende seus padrões para se deleitar com o Issen, mas confrontos contra inimigos comuns e subchefes viram passeio.

Acervo contido de inimigos
Talvez a única coisa que me incomodou no jogo foi a pouca variação de inimigos comuns e chefes. No começo, isso pode até parecer uma forma de mostrar o quanto você evoluiu, mas ao longo do jogo encontrar o Dohatsu-ten pela 8ª vez já não era mais uma surpresa. Onimusha: Way of the Sword tem uma duração honesta que pouco se nota o passar do tempo, mas seria melhor ter combatido contra variações mais interessantes de inimigos em geral.
Tema do adversário que treinou mil vezes o mesmo golpe, não o que treinou mil golpes.
Apesar disso, em nenhum momento me cansei de Onimusha: Way of the Sword. Toda a movimentação ao longo das brigas trazem um peso físico para o personagem e até mesmo os chefes, seja no clash de espadas rosto a rosto apertando botão para não perder ou em uma aparada que errei e perdi toda a barra de postura, me colocando em uma posição vulnerável onde precisava acalmar e ver o próximo movimento do inimigo para não sucumbir ali mesmo.
Todo esse combate responsivo e cinematográfica casou muito bem com sua estrutura narrativa, cenários e level design que segue um molde mais linear com um pequeno espaço para se explorar abertamente.

Explore e melhore
A decisão de equilibrar momentos lineares com um mapa aberto de somente uma região, me lembrou bastante a estrutura de METRO Exodus, um grande acerto em ambos os casos. Corredores para se vagar voltado ao avançar da história principal em conjunto de uma pequena região de Kyoto, que é possível expandir pouco a pouco, onde ocorrem a maioria das missões secundárias e encontros constantes com inimigos a cada esquina dobrada.
Cada canto esconde um baú, cada propriedade há Genma e nada disso precisa ser feito às pressas. Explorar nesse jogo é tão satisfatório quanto erradicar os demônios da terra, especialmente devido as recompensas encontradas em diversos baús espalhados em Onimusha: Way of the Sword.
A árvore se agita a depender do soprar do vento.
Certos itens encontrados podem aumentar o nível dos equipamentos, armamentos Oni e habilidades gerais e assim tornar o caminho da espada menos sofrido. Onimusha: Way of the Sword apresenta um acervo decente de itens consumíveis também para auxiliar ainda mais nos combates.

Onimusha: Way of the Sword fecha bem o ano da Capcom
Mais uma vez a Capcom traz um jogo satisfatório de se jogar, sendo esse o terceiro título de alta qualidade lançado no mesmo ano pela empresa. Isso mostra que a RE Engine (motor gráfico da Capcom) foi a melhor decisão tomada, dessa forma o processo interno de desenvolvimento e troca de equipes não atrasa tanto o trabalho em cada game, assim como sua qualidade.
Digo isso, pois é perceptível certos movimentos feitos por Musashi que já vi tanto o Leon em RE9 Requiem ou o Hugh Williams em Pragmata (até mesmo os caçadores em Monster Hunter Wilds) reproduzirem, e isso nunca será e não deveria ser um problema, pelo contrário.
Ao apresentar três ótimos títulos lançados em uma curta janela e cada um com mecânicas e histórias únicas só mostra que a Capcom está trilhando um caminho eficiente há um bom tempo. Assim fico cada vez mais curioso para ver como será uma gameplay de lobo no futuro Okami que está sumido há um tempo, mas também não acharia ruim um remake do original de PS2 antes dele.
Não se troca a sela do cavalo vencedor.

Onimusha: Way of the Sword vale a pena por todo o conjunto da obra, especialmente para amantes de jogos de ação e temática de samurai. O nível de dificuldade é razoável, mas nada estressante como jogos da From Software ou similares, ouso dizer que o combate de Way of the Sword é um dos melhores que joguei dentre os atuais.
Seus personagens cativantes e muito bem atuados — especialmente na dublagem em PT-BR — são a cereja do bolo que torna a experiência ainda mais agradável. O jogo também está 100% localizado em PT-BR, legendas e interface.
Trilhe o caminho da espada junto de Miyamoto Musashi em Onimusha: Way of the Sword já disponível para PS5, Xbox X|S, Nintendo Switch 2 e PC.
Onimusha: Way of the Sword: O jogo apresenta um combate satisfatório, uma história cativante e combates memoráveis. A variedade de inimigos deixa um pouco a desejar, mas nada que mine a experiência geral em meio a cenários e momentos cinematográficos. – PolacoPesos