A desenvolvedora Cold Symmetry e a distribuidora Playstack unem forças novamente para lançar Mortal Shell 2, a sequência da primeira parceria entre as duas empresas. O título chega para PlayStation 5, Xbox Series X|S e PC via Steam no dia 20 de agosto, com acesso antecipado disponível a partir do dia 17 de agosto para quem adquirir a Edição Devoto.
Utilizando todo o aprendizado obtido no primeiro jogo, a equipe inova e entrega uma experiência totalmente única, com combate mais refinado, um mundo vasto para explorar e novos sistemas que permitem ao jogador montar seu estilo de jogo ideal.
A atmosfera de terror medieval ganha ainda mais vida nesta sequência, com cenários de tirar o fôlego, inimigos que inspiram temor e uma trilha sonora densa que completa o pacote e imerge o jogador no universo sombrio de Mortal Shell 2. O cuidado e o carinho dos desenvolvedores em honrar o legado do primeiro jogo, elevando o nível a cada detalhe, colocam esta obra no mesmo patamar dos grandes títulos do gênero.
Novo foco na exploração
Uma das maiores evoluções que Mortal Shell 2 trouxe consigo foi seu vasto mundo para explorar. De forma simples, o jogo solta o jogador em sua jornada sem nenhuma seta indicando o caminho a seguir. Isso torna a exploração uma experiência incrível, pois o jogador recebe um mapa com algumas marcações, mas nenhuma ordem direta de rota, resultando em liberdade total para ir aonde bem entender.
Ao explorar, o jogador encontra inúmeros desafios pelo caminho, incluindo um sistema de masmorras espalhadas por todo o mapa. Essas masmorras recompensam com os mais variados recursos, desde armas e novas carcaças até materiais para melhorar equipamentos. É claro que nenhuma recompensa vem sem um desafio à altura: quanto mais difícil o chefe, mais valiosos serão os espólios.

Fica claro desde o início que o jogador é apenas mais uma alma neste mundo, e que o progresso virá por meio de muito esforço e aprendizado. Não há pontos seguros, as famosas “fogueiras”, em abundância pelo mapa de Mortal Shell 2. Dessa forma, o gerenciamento de recursos, como a manutenção das poções de cura para o momento certo, torna-se uma habilidade adquirida com a experiência.
A parte mais interessante de encontrar uma nova fogueira não é apenas a sensação de segurança, mas o fato de que, na maioria das vezes, um desafio aguarda o jogador em seu interior. Ali se encontram os ovos, chamados de Ovum, espalhados por todo o mapa, além de recursos para melhorar a casca. Esses ovos são o principal objetivo do jogador, e cabe a ele recuperá-los, já que estão dispersos por todos os cantos do mundo.
Além dos Ovum, seis portões estão sempre marcados no mapa e representam os grandes desafios do jogo. Lá, uma quantidade enorme de ovos aguarda o jogador, mas não antes de enfrentar quem os roubou. Esses guardiões são o maior teste de Mortal Shell 2, com lutas totalmente únicas que desafiam o jogador de todas as formas possíveis, forçando-o a se adaptar e traçar a estratégia certa para vencer. Fique avisado: não é um desafio para quem busca tranquilidade. Mas fique feliz, pois quanto mais tempo passar, mais você poderá apreciar uma bela trilha sonora.
O peso dos movimentos
Falar de Mortal Shell 2 sem comentar o quão impactantes são os movimentos do jogador seria um descaso com os desenvolvedores. A cada golpe, sente-se o peso do personagem ao balançar a espada e a força do impacto ao atingir o inimigo. De forma até punitiva, o sistema não passa a mão na cabeça do jogador que ataca sem pensar, pois, mesmo sem uma barra de vigor para limitar as ações, os próprios inimigos se encarregam de ensinar essa lição.
Essa abordagem de não incluir vigor como recurso concede liberdade de exploração, mas também é uma faca de dois gumes: se a esquiva não tem custo, é essencial acertar o timing. Cada inimigo ataca em seu próprio ritmo, sem abrir margem para esquivas impulsivas. O detalhe que mais pega o jogador são as fintas realizadas por muitos inimigos cavaleiros, que enganam e fazem com que o jogador desvie no tempo errado, ficando totalmente exposto ao ataque real.

As diversas formas de explorar o peso dos movimentos trazem a Mortal Shell 2 um sistema recompensador para quem tem paciência e espera o momento certo de agir, mas também pune severamente quem aperta botões sem pensar nas consequências. Em cada jogo do gênero, há uma mecânica-chave que, quando dominada, facilita a experiência, e aqui, saber se movimentar, atacar e defender no momento certo serão seus maiores aliados ao longo da jornada.
Cada casca oferece uma abordagem única para a forma de jogar Mortal Shell 2, cabendo ao jogador encontrar aquela com a qual mais se identifica e da qual consegue extrair o melhor proveito para destruir tudo o que está à frente. As opções são bastante distintas: há cascas para quem gosta de ser um escudo humano, para quem prefere infligir efeitos negativos e ver os inimigos morrerem lentamente, para os que apreciam uma abordagem furtiva e meticulosa, e outras formas de encarar o jogo.
A dificuldade presente em Mortal Shell 2
Desde o primeiro inimigo, fica claro que aqui Mortal Shell 2 não será um jogo tranquilo e que nada será conquistado na primeira tentativa. O adversário mais comum pode facilmente derrotar o jogador se não receber a devida atenção, criando um estado de alerta constante que ensina a nunca subestimar o menor dos desafios e a sempre observar os movimentos do inimigo. Tratando-se de um Soulslike, morrer para aprender é uma mecânica já conhecida por quem joga títulos desse nicho.
Não espere que Mortal Shell 2 seja justo ou que entregue algo de mão beijada. Aqui, todas as artimanhas são usadas a favor dos inimigos, e cabe ao jogador aprender a lidar com elas: inimigos escondidos atrás de paredes, barris explosivos posicionados para derrubá-lo em buracos, salas vazias que se enchem de adversários em poucos segundos, e inúmeros outros desafios esperam por você.
A sensação é que tudo em Mortal Shell 2 foi feito para testar o jogador de alguma forma. A maioria dos inimigos pode matá-lo com não mais que três golpes, e, quando não é o caso, o jogador se vê em pequenas salas cercado por hordas, sendo pressionado a apertar botões no desespero e morrendo sem chance de reação. Uma grande lição do jogo é escolher a estratégia certa para cada batalha, atraindo um inimigo por vez para não se meter em situações desfavoráveis.

Se houvesse uma palavra para definir o que é necessário para avançar, sem dúvida seria paciência. Sem ela, o jogador nunca conseguirá captar o timing correto de cada inimigo. E isso vem da observação: sempre que encontrar um adversário novo, reserve um tempo para entender seus golpes e seu comportamento, pois confiar apenas no reflexo é quase impossível contra grande parte dos inimigos.
Quando o jogador começa a sentir que está aprendendo e que finalmente conseguirá vencer o inimigo que o travava, Mortal Shell 2 mostra o quão impiedoso pode ser. No menor erro, tudo desmorona, uma tentativa promissora, com bom número de poções e desempenho consistente, pode ruir por um único deslize. Mas toda a frustração e raiva fazem com que, ao finalmente derrotar o inimigo, a sensação de dever cumprido seja melhor do que qualquer recompensa que ele ofereça. Claro, essa satisfação logo dá lugar ao próximo desafio, ainda maior.
Pensando também em quem quer poder experienciar tudo o que Mortal Shell 2 tem para entregar, os desenvolvedores colocaram no jogo um acessório que facilita a experiência, oferecendo ao jogador um sistema de alto dano e alta sustentabilidade. Esse item se chama Selo do Homicida e, com ele, os ataques à distância quebram a postura dos inimigos. Ao realizar o contra-ataque, o jogador cura e regenera sua barra de determinação.
Uma grande evolução
É inegável que, ao colocar Mortal Shell 2 lado a lado com seu antecessor, percebem-se melhorias em todas as áreas do jogo. O combate foi aprimorado com novas mecânicas que adicionam profundidade e dificuldade na medida certa. O aspecto visual está impecável: além de belo, o jogo apresenta uma linha de arte bastante única, que mistura o medieval com o terror, criando uma atmosfera pesada e sombria.
Tudo isso é complementado por um mundo gigante, repleto de desafios e inimigos dispostos de forma cuidadosa, incentivando o jogador a utilizar todas as mecânicas disponíveis para avançar. A transição para um mundo aberto focado na exploração confere uma nova dimensão a Mortal Shell 2, que se casa perfeitamente com a ambientação proposta.

Essa atmosfera, construída pelo desafio, pela direção artística e por uma jogabilidade refinada, se une a uma trilha sonora densa, que imerge o jogador quase que imediatamente no universo do jogo. Sem perceber, é fácil perder horas e horas jogando, sem ver o tempo passar. Esse estado de fluxo não é fácil de alcançar, mas aqui tudo foi pensado para estar no lugar certo, bastando apenas aproveitar momentos de uma experiência ímpar.
Algumas ressalvas, no entanto, são necessárias. Tratando-se de um jogo que não poupa recursos para criar um mundo visualmente deslumbrante, o desempenho em computadores mais simples pode não ser dos melhores. O jogo conta com localização completa de texto para o português do Brasil, mas apresenta pequenas falhas em que o texto muda para o inglês durante a jogatina.
Porém, tirando essas duas questões, Mortal Shell 2 tem uma dificuldade alta mas justa para quem utiliza todas as mecânicas a seu alcance, uma duração incrível de mais de 30 horas, visuais deslumbrantes e uma experiência que, para todos os fãs do gênero, não pode passar batida.
Mortal Shell 2: O jogo supera seu sucessor com mundo aberto, combate refinado e atmosfera sombria de tirar o fôlego. Com mais de 30 horas de duração, desafios justos e visuais deslumbrantes, a sequência honra o legado do antecessor e entrega uma experiência indispensável para os fãs do gênero. – PolacoPesos