Moonlighter 2: The Endless Vault não é apenas uma sequência: é uma reinvenção completa. Agora com gráficos 3D e uma gameplay totalmente reimaginada, aderindo a mais mecânicas roguelike, o jogo foi produzido pela Digital Sun e publicado pela 11 bit studios, com lançamento no dia 2 de setembro de 2026 para PC via Steam, PlayStation 5 e Xbox Series X|S.
Uma reinvenção ousada
Moonlighter 2: The Endless Vault sucede um grande título, que marcou muito seu espaço no mercado, mas não teve medo de mudar completamente toda a base do jogo para trazer uma experiência muito mais pensada no cenário atual do mundo dos games. A principal mecânica do jogo, a loja, continua funcionando de forma quase idêntica à do jogo base, com algumas melhorias e adições que trazem mais dinamismo a ela.
Agora, onde houve mudanças foi na exploração e no combate. Começando pela exploração, Moonlighter 2: The Endless Vault passou de um foco em explorar calabouços para um sistema de mapas muito parecido com o de jogos no estilo Hades, no qual existem salas com recompensas e, a cada sala completada, o jogador escolhe a próxima já sabendo o que encontrará lá. Isso tirou um pouco o ar de mistério e de não saber o que está à frente, mas adicionou mais dinamismo ao jogo.
Falando em combate, como Moonlighter 2: The Endless Vault abraçou mais mecânicas de roguelike, foi aqui que houve um grande impacto, pois as recompensas das salas podem ser tanto relíquias quanto modificações que permanecem durante toda a partida, permitindo criar combinações para ir cada vez mais longe e chegar ao chefe final do mapa.

Quem jogou o primeiro título estava muito acostumado com a ideia de entrar em portais para ir a outros mundos e, lá, ganhar espólios ao matar inimigos, para depois vendê-los na loja ou guardá-los para melhorar seus itens. Em Moonlighter 2: The Endless Vault, essa mecânica mudou um pouco: todos os itens para venda vêm de dentro dos baús que aparecem ao limpar uma sala, e esses itens são colocados no inventário para serem levados e vendidos.
Um sistema novo também foi implementado: o da mochila, com relíquias que interagem entre si, criando sinergias e uma espécie de quebra-cabeça de interações. Moonlighter 2: The Endless Vault oferece ferramentas ao jogador para encontrar combinações que elevem a qualidade das relíquias da partida e aumentem ainda mais seu valor de venda.
A parte um pouco triste vem depois de voltar de uma partida com a mochila cheia de relíquias. Ao tentar melhorar seus itens, o jogador se depara com um obstáculo gigantesco de dinheiro, sendo necessário fazer múltiplas partidas para conseguir vender X relíquias e ter todo o dinheiro necessário para prosseguir. A segunda parte triste de Moonlighter 2: The Endless Vault é ao fazer uma espada ou armadura nova, ir testá-la e perceber que não houve uma grande melhoria no dano.
Uma loja renovada
A loja que dá nome ao jogo não poderia ficar de fora da sequência, mas, claro, com novas mudanças que dão um ar renovado a essa mecânica icônica. Primeiro, falando do que se mantém: o formato de dia e noite, em que, durante o dia, o jogador realiza as vendas e, à noite, parte para as aventuras; os estandes, onde são colocadas as relíquias com os preços definidos; e o caixa, onde a venda é feita para os NPCs.
Agora, algumas coisas sofreram alterações ou melhorias, como novos estandes que modificam o preço de certos itens vendidos por meio deles. Também é possível comprar decorações que adicionam modificadores a todas as vendas e expandir a loja para novas dimensões, aumentando a quantidade de estandes disponíveis.

Algumas novas mecânicas foram adicionadas para complementar a loja, e as duas principais são a gorjeta e um novo sistema roguelike de modificadores, que tem grande sintonia com as gorjetas. Ao realizar algumas vendas na loja, o jogador ganha a possibilidade de escolher, entre três opções, um modificador que durará aquele dia de vendas, com a chance de surgir algo que aumente muito os lucros.
De longe, a modificação mais forte no começo foi a que adicionava 25 moedas de gorjeta a cada venda feita. Com isso, de forma exponencial, era possível ganhar muito dinheiro mesmo com relíquias de qualidade muito baixa. Essa é apenas uma entre muitas melhorias que trazem um dinamismo muito legal para cada dia de vendas e que fazem essa mecânica não cansar até o fim do jogo.
Em Moonlighter 2: The Endless Vault, estamos em um novo lugar chamado Tresna, onde existe um artefato chamado O Cofre Infinito. Toda a história está ligada a progredir em seus pedidos por mais dinheiro e provar que você é digno de todas as riquezas que estão lá dentro. Na prática, essa progressão está trancada por certos marcos ligados aos lucros da loja, e, aos poucos, o jogador vai entendendo mais sobre esse artefato, sua história e o vilão Moloch, que o quer para si mesmo.
Moonlighter 2: The Endless Vault é um sucessor à altura
Sem sombra de dúvidas, a Digital Sun tentou ousar e sair da zona de conforto de apenas fazer uma sequência que fosse uma versão estendida de seu primeiro jogo, o que, justamente, não foi o caso aqui. Moonlighter 2: The Endless Vault pega apenas o necessário do primeiro título para poder se chamar de sequência, estuda as tendências do mercado atual (afinal, o primeiro jogo tem quase uma década de idade) e cria uma experiência única, unindo o passado ao presente.
Alguns pontos, como o sistema de itens e relíquias, sofreram alterações que, com essa dinâmica de progressão das partidas por salas e escolhas, se encaixaram muito bem com o que o mundo dos jogos já está familiarizado. A narrativa, porém, deixa um pouco a desejar no quesito interações do protagonista Will com o mundo e na maneira como a loja funciona, pois a impressão que fica é que não há contato com os clientes nem um motivo para eles estarem comprando os itens, falta um pouco de propósito aqui.

Somando a isso, o loop do jogo, conseguir artefatos, vendê-los para fazer dinheiro, realizar melhorias tanto na loja quanto nos itens e repetir esse processo até o fim do jogo, alinhado a mapas predefinidos e a uma quantidade baixa de variação de inimigos, com o tempo vai cansando pela falta de diversidade.
Como se não bastasse, no fim de Moonlighter 2: The Endless Vault é necessário fazer uma meta diária de lucro por dia para conseguir completar a missão, e esse valor aumenta a cada vez que o jogador consegue atingi-lo. Isso, novamente alinhado aos problemas anteriores, cria uma barreira sem motivações para continuar jogando.
Um ponto muito positivo é a performance de Moonlighter 2: The Endless Vault, que roda de forma impecável em seu mundo cheio de detalhes. O jogo também conta com tradução completa para o português, mas com dublagem apenas em inglês, o que pode desagradar parte do público brasileiro.
Moonlighter 2: The Endless Vault consegue ser um jogo muito divertido na maior parte de seu conteúdo, mas, tratando-se de uma sequência, é de se esperar que aquilo que fez os fãs se apaixonarem pela série esteja lá. Moonlighter 2 é uma aposta ousada que funciona, mas, para os fãs do original, pode ser uma loja diferente da que se lembravam.
Moonlighter 2: The Endless Vault: Moonlighter 2: The Endless Vault reinventa a fórmula do original com gráficos 3D, mecânicas roguelike e uma loja mais dinâmica do que nunca. Um sucessor ousado que agrada novos jogadores, mas pode dividir os fãs do primeiro título. – PolacoPesos