Existe algo melhor do que enfrentar hordas de demônios com um amigo em uma experiência que mistura o melhor dos mundos soulslike e roguelike? Crimson Moon torna isso possível. O jogo foi desenvolvido e publicado pela ProbablyMonsters e já está disponível para PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC via Steam e Epic Games Store.
Uma fusão ousada
Crimson Moon começa ousando em juntar dois gêneros que parecem ser bem distintos: Soulslike e Roguelike. O primeiro é focado em uma progressão linear, em aumento de nível constante, pontos de segurança ao longo de todo o jogo e repetição de lutas para aprender um padrão. Já o segundo é focado na alta rejogabilidade, morte permanente, em sua grande maioria, o caos reina na tela, e sistema de partidas em ciclo.
Então, a ideia da ProbablyMonsters foi unir esses dois gêneros, onde um é focado em ter uma longa experiência única e o outro em várias experiências. Essa união ainda foi além e implementou o jogo completamente cooperativo para que você possa ter toda essa experiência única com um amigo, o que tornou tudo melhor.
Já na prática, Crimson Moon funciona de uma forma bem mais simples do que se apegar aos gêneros. Você tem uma base de operações onde moram todos os NPCs, onde você faz melhorias em seus equipamentos, compra equipamentos novos, ganha missões e monta toda sua estratégia para entrar na partida e tentar chegar ao fim ou ir o mais longe possível.

O loop se mantém nessa forma: escolher um mapa, confirmar seu arsenal inicial escolhido, entrar na partida, lutar até chegar ao chefe da região e, caso vença, retornar à base. Essa ida à base no meio da partida é como um respiro em meio à guerra, pois a próxima etapa é selecionar o próximo mapa e voltar para o olho da tempestade, mantendo todos os novos itens que você ganha e também todas as melhorias.
O sistema de itens é bem familiar para todos que jogam jogos soulslike, mas com algumas adições do gênero roguelike. Você pode equipar um capacete, uma armadura, uma calça, uma bota, uma arma de uma mão, um escudo, uma arma de duas mãos, um anel e um colar. Todos os itens têm status base que melhoram com a raridade do item e, em sua grande maioria, concedem algumas passivas. As armas e escudos oferecem ao jogador habilidades ativas, e é aqui, no meio desse monte de itens, que você monta a base da sinergia de todo seu conjunto.
O loop da batalha
Assim que tudo na base de operações já está pronto, você parte para a mesa de missões para escolher qual irá fazer. Mas antes, você começa escolhendo qual dificuldade quer enfrentar, seguido pela escolha de qual será o primeiro mapa que vai aparecer. Esse sistema é bem simples: quando você começa Crimson Moon, só há um mapa liberado e, caso consiga chegar ao fim dele e matar o chefe, você ganha uma outra opção de mapa para uma partida futura.
Uma partida completa é composta por quatro mapas em ordem: você tem os quatro base e os outros quatro que libera concluindo os iniciais. Ou seja, no total Crimson Moon tem oito mapas, e cada um tem um chefe no fim te esperando para ser derrotado. Um mapa funciona com três pontos de controle onde, ao chegar lá, você recupera todas as suas poções e ganha uma melhoria no estilo roguelike que fica com você até sua morte ou até completar a partida.

Essas melhorias são onde mora a camada de sorte, pois existem múltiplas raridades com efeitos cada vez melhores. Em uma partida, você pode ter sorte de conseguir um conjunto muito forte dessas modificações e fazer o jogo parecer estar no modo fácil, ou o azar impera e você está lá preso com inúmeros inimigos.
A parte onde Crimson Moon mostra que trouxe os fundamentos soulslike é no seu combate, bem padrão do gênero: câmera em terceira pessoa com foco em desviar/bloquear e atacar quando há uma janela de oportunidade. Mas é claro que não seria apenas isso que ele iria trazer do gênero, a dificuldade no combate também veio junto, a ponto de você gastar todo seu recurso para matar um inimigo específico toda rodada, que parece que foi feito para fazer você perder.
Esse tipo de inimigo são os elites, que claramente se destacam dos demais tanto em tamanho quanto em sua força. Eles têm ataques imparáveis e que com certeza foram feitos para estragar muitas partidas. Mas é claro que nem tudo é parte negativa, já que ao aprender a como combatê-los, o jogo fica mais fácil e, por sua dificuldade, eles têm as melhores chances de dar bons itens ao jogador.
Onde o jogo tropeça
Crimson Moon tem toda sua fundamentação mecânica muito sólida, mas, para ser uma experiência completamente agradável ao jogador, ele precisa fazer algumas alterações e correções que deixem toda a jogatina muito mais prazerosa e, principalmente, consistente para quem está jogando.
Ele não tem problema algum de performance: o jogo é lindo e roda muito bem. No entanto, outros aspectos ainda precisam de atenção. Porém, os desenvolvedores estão recebendo o feedback da comunidade e se mobilizando para entregar soluções rápidas aos problemas. Uma das principais críticas a Crimson Moon em seu lançamento foi a falta da customização de teclas para quem joga no mouse e teclado, e, em menos de uma semana do lançamento, o jogo já recebeu uma atualização que adiciona esse recurso.

Agora, a questão da câmera do jogo fica esperando uma atualização muito necessária, pois em muitos momentos ela apresenta falhas tanto em questão de distância quanto em perder completamente o foco no jogador. Outro problema é que os itens encontrados durante a partida apresentam passivas aleatórias, enquanto os do seu arsenal têm passivas fixas, o que pode gerar estranhamento.
Seguindo ainda na linha de itens, o jogo necessita de uma forma de poder vender os itens indesejados durante uma partida, já que quase todo inimigo dá um item de recompensa e, no fim, fica uma maré de itens pelo mapa sem função alguma. Isso resolveria outro problema que o jogo tem: sua moeda, que passa a impressão de sempre ter pouco dinheiro, o que acaba limitando suas opções na base.
Fechando esta parte, uma outra qualidade de vida que faria muito bem em ser adicionada ao jogo é clareza nas recompensas das missões, já que nem quando você aceita, nem quando você conclui uma, você sabe o que está ganhando com ela. Isso afeta a compreensão dos sistemas do jogo e também afeta a questão de rejogabilidade, pois o jogador não vê sentido em continuar jogando após conseguir concluir algumas partidas e ter visto todos os mapas do jogo.
Futuro promissor de Crimson Moon
Como dito anteriormente, Crimson Moon tem uma estrutura muito boa que, com algumas melhorias, tem tudo para ser uma experiência ímpar, principalmente se for jogado em co-op com um amigo. Um grande acerto foi seu valor: para nós, brasileiros, o jogo está por apenas R$72,95, que, para o cenário atual do mercado de jogos, é um valor relativamente baixo.
Crimson Moon pode não contar com muitos chefes ou mapas, o que acaba deixando o jogo com uma duração curta, sendo possível ver todo o conteúdo em torno de 15 horas. Porém, a originalidade de cada chefe faz com que suas batalhas sejam muito diferentes umas das outras, o que agrega muito à rejogabilidade. Afinal, tratando-se de um roguelike, esta é a função mais esperada.

Crimson Moon tem margem para adicionar muito conteúdo ao seu loop, aumentando seu repertório ao longo do tempo: armas à distância, novas armas, novas armaduras, novos mapas e, o que todos sempre gostam, mais chefes para serem derrotados. Como o jogo conta com um esqueleto forte, adicionar mais coisas a ele é a parte fácil do projeto.
O futuro de Crimson Moon depende muito, agora, do feedback da comunidade e do apoio de todos que gostaram do que viram e desejam algo melhor no futuro. Crimson Moon é uma base sólida que, com ajustes, pode se tornar um clássico, mas, por enquanto, é uma promessa que já vale o preço do ingresso.
Crimson Moon: Crimson Moon une soulslike e roguelike em uma experiência cooperativa desafiadora e recompensadora. Com combate sólido, sistema de progressão viciante e preço acessível, o jogo entrega horas de diversão. – PolacoPesos