E se você pudesse montar seu próprio lutador aprendendo golpes de cada adversário derrotado? Poly Fighter torna isso possível, um jogo que mistura luta 2D com um sistema de progressão roguelike. O título desenvolvido pela HeartLoop Games conta com uma demo disponível no Steam para todos testarem, e foi anunciado que entrará em Acesso Antecipado no dia 13 de outubro.
Fundamentos do jogo
Não houve erro na introdução: Poly Fighter realmente une roguelike com luta 2D, e essa combinação gerou um resultado muito interessante. O jogador começa com um personagem básico e, à medida que avança no jogo vencendo oponentes, é recompensado com a possibilidade de aprender um golpe de quem derrotou, montando, assim, seu personagem ideal.
Isso gera uma infinidade de combinações, deixando nas mãos do jogador a tarefa de encontrar golpes que se encaixem e que, no fim, permitam avançar até o chefe final. Aprender as mecânicas básicas de um jogo de luta não fica de fora da equação de Poly Fighter, mas pensar fora da caixa para montar a combinação ideal é o que levará ao sucesso nas partidas.
Alinhado a isso, a HeartLoop Games criou todo o sistema de golpes pensando em facilitar essa montagem. Cada golpe possui marcadores que explicam sua função, tipo e efeitos, facilitando a visualização de padrões para criar combinações coesas, ou, se preferir, chutar o balde e fazer uma salada de golpes.

Mesmo assim, a equipe optou por não fugir do clichê do bom mocinho herói que vai sozinho enfrentar todo o sindicato do mal. O jogo também conta com o famoso rival, que mais parece um aliado, mesmo lutando contra o personagem, ele torce para que você vença o sindicato, o que traz um tom cômico e remete às lendas do gênero de luta.
A identidade visual do jogo segue a primeira parte de seu nome, com polígonos bem acentuados que criam um visual nostálgico para uma experiência totalmente nova. Esse estilo se alinha à trilha sonora, que juntas conferem um ar de nostalgia a algo que está sendo feito pela primeira vez.
Progressão do personagem
A progressão é onde toda a base roguelike de Poly Fighter se manifesta. Após uma tela de seleção de personagem bem padrão de jogos de luta, um mapa de escolha de rota aparece, e o jogador começa a trilhar seu caminho escolhendo encontros: pode lutar contra inimigos normais, inimigos elites, treinar para evoluir o nível de uma habilidade (aumentando seu dano e/ou adicionando um novo efeito), lutar contra o rival (que, além de diálogo, oferece melhores recompensas) ou visitar enfermarias para recuperar a vida do personagem.
As lutas seguem o padrão do gênero: o jogador tem uma barra de vida que, ao ser zerada, reduz um contador de vidas. Caso vença um round sem estar com a vida máxima, o jogo cura 15% da vida, o que ao longo do caminho facilita muito a sobrevivência.

As mecânicas básicas incluem três botões de golpe, dash, agarrão, quatro habilidades e dois especiais. Os golpes são fixos de cada personagem e não podem ser alterados. O restante começa com um conjunto base, mas, como mencionado anteriormente, o jogo oferece ferramentas para montar o próprio estilo, em nenhum momento o jogador é limitado às mecânicas iniciais do personagem escolhido.
Além disso, algumas recompensas são buffs que não afetam diretamente as mecânicas, mas as influenciam, por exemplo, a melhoria de se curar após dar um agarrão. Isso adiciona mais uma camada à customização, mas, na versão beta atual, o repertório dessas melhorias ainda é limitado. Espera-se que o repertório se expanda na versão final.
A realidade atual de Poly Fighter
A demo atual mostra a que o jogo veio. Para uma equipe que está fazendo seu primeiro jogo, fica claro o potencial que Poly Fighter tem para o futuro. O jogo já está completo e cheio de conteúdo? A resposta é não, mas isso é uma demo, o primeiro contato com os fãs. Agora é a hora de testar, explorar e deixar um feedback construtivo para os desenvolvedores.
O jogo tem uma ideia única no mercado, que até agora quase não foi explorada. É de tirar o chapéu pela ousadia da HeartLoop Games em tentar algo totalmente fora da caixa. Porém, nem só de flores vive Poly Fighter. O jogo ainda precisa passar por uma boa sessão de balanceamento de habilidades para se tornar um produto desafiador, sem mecânicas que possam ser exploradas de forma vantajosa.
É possível montar combos com dois especiais do tipo projétil e usá-los em sequência sem nenhum ponto negativo. O problema ocorre porque a IA não tem um comportamento de defesa ou esquiva contra ataques à distância, tornando esse estilo de jogo excessivamente seguro. Situações como essa são fáceis de encontrar, mas com rodadas de balanceamento, os desenvolvedores podem corrigi-las e deixar o jogo o mais polido possível.

Vemos a base de algo que pode vir a definir um novo gênero. Com certeza, com essa demo, Poly Fighter deve estar no radar de todos os fãs dos dois gêneros. Seria ideal que todos experimentassem a demo e contribuíssem com seu feedback para que a equipe de desenvolvimento tenha as informações necessárias, pois Poly Fighter é uma aposta ousada e promissora, e, com o retorno certo, pode se tornar um marco no gênero.