O jardim precisa ser salvo por mais um ano, e cabe a você reunir toda a congregação das bruxas para então realizar a festa de chá anual. Esta é a premissa de Garden of Witches, um jogo do gênero roguelike de ação desenvolvido e publicado pela Team Tapas. O título já está disponível na Steam e conta com mais de 90% de análises positivas.
Roguelike de ação
Garden of Witches, por ser um jogo roguelike, já apresenta mecânicas esperadas para o gênero, como sistema de modificações para habilidades, upgrades por níveis, grandes hordas de inimigos e muito mais. Diferentemente de outros títulos do estilo, porém, ele não foca tanto em expandir o arsenal de habilidades e gerar inúmeras combinações, mas sim em entregar habilidades únicas que permitem que todos se divirtam.
Em sua maior parte, Garden of Witches adota um sistema de salas em loop: o jogador completa uma sala, ganha uma recompensa, escolhe a próxima entre duas opções e repete o processo até chegar ao chefe. Esse ciclo se mantém até a derrota da chefona final, concluindo aquele capítulo, avançando na história e descobrindo mais sobre as outras bruxas, sobre a escuridão que ataca o jardim e, principalmente, sobre a bruxa Nahatra, centro de toda a trama.

O combate é simples, sem grande profundidade mecânica, mas é fluido e muito bem executado. Mesmo sem uma complexidade imensa, ele brilha com o pouco que tem: com um ataque, duas magias, uma habilidade especial e um dash, o jogador desliza pelo jogo sem perceber o tempo passar. Essa é, de longe, a parte mais incrível de Garden of Witches: a facilidade em manter o jogador em estado de fluxo e despertar a curiosidade para saber mais da história.
A arma principal da protagonista Sil é uma tesoura, já que ela é a bruxa dos tecidos, e isso está presente em todas as mecânicas de combate da personagem, por meio de sistemas de linhas e outros elementos. Conforme o jogador avança e derrota chefes, libera relíquias que melhoram suas habilidades e aumentam o poder do personagem.
Criar sua própria identidade é o fator principal das armas e habilidades de Garden of Witches. A cada nível, o jogo oferece a oportunidade aleatória de melhorar uma habilidade, podendo ser dano, tempo de recarga, quantidade de usos ou velocidade de ataque. A cada três melhorias no mesmo atributo, o jogador ganha a opção de escolher um modificador. Por exemplo, a habilidade “Bola de Fogo” pode ter uma melhoria que reduz seu dano, mas aumenta o número de projéteis disparados.
Garden of Witches por ser um jogo com foco na história e na interação entre personagens, todas as mecânicas de combate foram pensadas para que qualquer jogador encontre seu próprio estilo e se divirta, sem precisar se tornar um expert, mas ainda assim com um desafio recompensador, cuja maior recompensa é avançar na narrativa e realizar a tão esperada festa do chá.
A festa do chá
Garden of Witches traz uma proposta divertida e descontraída. O jogo coloca o jogador na pele de Sil, uma das bruxas que vivem no jardim criado pela bruxa Nahatra. Cabe a você, todos os anos, reunir as outras bruxas para realizar a festa do chá e conseguir afastar a escuridão dos sonhos de Nahatra.
Com essa premissa bastante simples, Garden of Witches se desenrola de forma ainda mais direta: o jogador caminha de bruxa em bruxa, enfrentando inimigos pelo caminho e, ao chegar até elas, as enfrenta em batalha para que recuperem a consciência e todas possam ir juntas à festa. Esse loop se mantém ao longo de toda a história principal, e cada vez que o jogador consegue completar uma festa, um capítulo chega ao fim.

Garden of Witches conta com cinco capítulos. A cada avanço, a dificuldade aumenta, não apenas com acréscimo de vida e dano nos inimigos, mas também com mudanças no jardim, novos encontros e chefes que ganham novas fases, golpes e mecânicas. Além disso, conforme a história progride, o relacionamento com as outras bruxas se aprofunda, e o jogador passa a compreender melhor cada uma delas, suas dificuldades e personalidades.
A festa do chá é mais do que apenas um momento fofo entre as bruxas. O jogo transmite mensagens de forma sutil por meio de sua narrativa, e o que aparenta ser apenas um jogo simples de combate e ação carrega, por trás, uma bela história que certamente não deve ser ignorada.
O pós campanha
A trama principal envolvendo Nahatra e a festa do chá é, pode-se dizer, apenas metade do jogo. Após os cinco capítulos iniciais, há ainda três capítulos epílogos que contam a história de três novas bruxas que chegaram ao jardim, e cabe ao jogador ajudá-las.
O primeiro capítulo epílogo apresenta a bruxa do pântano e uma semente corrompida que está causando caos na região. Aqui, o jogo muda: novas mecânicas surgem, com uma árvore de talentos inédita, novas habilidades e um modo de jogo focado em sobreviver a ondas de inimigos.

No segundo capítulo, uma nova bruxa chamada Bazira pede ajuda ao jogador para explorar o reino da bruxa das joias e recuperar artefatos perdidos. O modo de jogo se transforma novamente, tornando-se uma exploração em que o jogador escolhe para qual sala ir, e algumas delas escondem artefatos e habilidades a serem resgatados.
Por fim, no terceiro capítulo, um misterioso espelho aparece. Ao tocá-lo, o jogador é transportado para um mundo espelho alternativo, onde encontra a bruxa das joias, que estava perdida. Diferentemente dos outros capítulos, aqui o jogador escolhe suas habilidades e upgrades desde o início da partida, enfrenta salas de inimigos e os chefes são novamente as bruxas da campanha principal, em versões deturpadas. Ao derrotá-las, cada uma concede um fragmento do espelho, necessário para retornar ao mundo normal.
A beleza de Garden of Witches
Esses momentos entre as bruxas são a essência de Garden of Witches. As relações entre elas são a beleza que motiva o jogador a continuar avançando, descobrir mais sobre cada uma, suas motivações e, claro, o que as leva à festa do chá. Afinal, o jogo é sobre isso: a interação entre elas para que todas cheguem a tempo de realizar a festa e salvar Nahatra da escuridão, e, consequentemente, salvar o mundo delas.
Além de toda a arte fofa, o combate fluido e uma história de aquecer o coração, o jogo carrega uma mensagem para quem está jogando que funciona quase como uma lição de convivência e aceitação do outro como ele é. A temática da congregação de bruxas se encaixa perfeitamente em tudo o que o jogo se propõe, pois afinal todas ali estão conectadas além de suas obrigações.
Para quem amou Garden of Witches e deseja se testar ainda mais, os desenvolvedores pensaram em um modo adicional para quem já completou a experiência. É possível rejogar partidas da campanha ou dos epílogos com dificuldade elevada e adicionar modificadores para tornar o desafio ainda maior.

No fim, Garden of Witches é uma excelente entrada no gênero roguelike. Ele se diferencia de outros títulos que trazem abundância de armas, melhorias e tudo mais, oferecendo um jogo fechado e bem conciso em sua proposta, com uma mensagem clara, e certamente um jogo que vai deixar muitos sorrisos nos rostos de quem o experienciar.
Garden of Witches: Garden of Witches é um roguelike de ação charmoso e acolhedor, com combate fluido, arte encantadora e uma história sobre amizade e aceitação. – PolacoPesos