Realm of Ink chega para conquistar seu espaço no mundo dos jogos roguelike, Com seu combate rápido, inúmeras combinações de itens, personagens com mecânicas únicas e vários chefes a serem derrotados. O jogo foi desenvolvido pela Leap Studio, o jogo já está disponível para PC (Steam e Epic Games), Playstation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.
A primeira experiência
De imediato, o jogador assume o controle de Red e seu companheiro Momo em um mundo feito de tinta, com um novo poder e começa uma breve introdução às mecânicas do jogo. Após o tutorial, a primeira partida tem início e à primeira vista, Realm of Ink pode parecer apenas mais um roguelike isométrico com uma aparência e temática diferentes do restante do gênero, no entanto, quanto mais se joga, mais se percebe que o título é bastante único em sua categoria.
Os primeiros contatos com os NPCs são bastante divertidos, permitindo que o jogador conheça a personalidade e o humor de cada um. O jogo é repleto de filosofia, algo esperado em uma produção oriental, mas também apresenta um tom leve e descontraído, capaz de arrancar sorrisos inesperados a cada diálogo. Esses mesmos NPCs também desempenham funções mecânicas, sendo encontrados em uma sala segura que funciona como uma loja. Nesse ambiente, é possível melhorar habilidades, adquirir novos itens, comprar cura para o personagem e, claro, conversar com quem está ali.

A primeira partida de Realm of Ink parece fácil. De fato, para quem já está familiarizado com o gênero, ela será e o jogador então se pergunta: o jogo inteiro será assim? Foi apenas sorte de iniciante ao montar uma boa composição de habilidades e itens? Ou ainda há algo que não foi apresentado?. Ao final da partida, seja derrotando o chefe final ou morrendo durante o percurso, o jogador é enviado ao local que servirá como sua base. É ali que o sistema de dificuldade do jogo é introduzido: a cada partida completada na maior dificuldade disponível, um novo nível se abre, modificando inimigos e desafios, mas também recompensando cada vez mais o jogador.
O mundo de Realm of Ink
Um dos grandes acertos de Realm of Ink é sua direção de arte, que consegue criar um mundo belo nos detalhes e diverso em sua extensão. O jogo opera sob um sistema de salas que compõem uma região. Ao derrotar o chefe final de uma região, o jogador avança para a próxima. Em uma partida, é necessário passar por um total de cinco regiões, sendo as quatro primeiras variáveis e a última fixa, dedicada ao chefe final.
O jogo deixa claro desde cedo que veio com a intenção de se destacar. Cada mapa é totalmente diferente dos outros, tanto no aspecto artístico quanto no próprio level design, o que torna a rejogabilidade bastante aproveitável, já que a sensação de repetição é significativamente reduzida.

Outro ponto forte de Realm of Ink é a variedade de inimigos. Não se trata apenas de versões diferentes para cada região, mas sim de inimigos inteiramente novos, com ataques próprios. Mais uma vez, isso se mostra muito positivo para a rejogabilidade e mantém o jogador constantemente atento, pensando em como superar cada mapa.
Não poderia ficar de fora a estalagem, que serve como base para o jogador. Nela, é possível realizar melhorias, desbloquear novos personagens, conversar com NPCs, descobrir mais sobre o mundo de Realm of Ink, aumentar o nível do companheiro e testar diferentes armas. Uma das funções mais interessantes que o jogo oferece é a possibilidade de jogar uma fase infinita utilizando uma partida já concluída.
O funcionamento é bastante simples: ao interagir com a NPC do xadrez, todas as partidas completadas são exibidas, permitindo rever itens, estatísticas e detalhes. As partidas em que o chefe final foi derrotado também liberam a opção de jogar em um mapa-arena, no qual um cronômetro avança e o desafio consiste em sobreviver o máximo possível. Este modo também oferece recompensas que ajudam a melhorar as partidas futuras.
Combate e combinações
Aqui é onde Realm of Ink brilha ainda mais. O jogo conta com 11 personagens totalmente diferentes entre si, cada um projetado para oferecer uma experiência única. Cada personagem possui técnicas que modificam o próprio conjunto de golpes, fazendo com que cada partida possa ser completamente diferente da anterior. Em nenhum momento o jogo obriga o jogador a usar um personagem específico. Assim, se houver uma preferência, cabe ao jogador decidir se segue toda a jornada com ele ou se alterna entre os demais.

Em combinação com o kit do personagem, Realm of Ink apresenta um sistema bastante completo de habilidades adquiridas durante as partidas, chamado de Relíquias de Tinta. Essas relíquias são divididas em categorias de elementos, e é possível estar com até duas simultaneamente. Dessa forma, o jogador tem a opção de combinar elementos, o que afeta diretamente o companheiro Momo, fazendo com que ele assuma a forma combinada das relíquias. Essa transformação influencia a próxima mecânica: a habilidade de Momo que é mais um golpe que o jogador pode usar. No total, o jogador dispõe de ataques leves, ataques pesados, dash, duas habilidades provenientes das relíquias e a habilidade de Momo como opções de ação.
Todo esse sistema é bastante simples na prática, mas ao mesmo tempo profundo. Existem muitas relíquias de cada elemento, cada uma com efeitos distintos. Isso, somado às combinações que transformam Momo e às diferentes técnicas obtidas durante a partida, faz com que cada experiência seja única. O sistema faz jus à principal característica pela qual o gênero roguelike é mais famoso: sua rejogabilidade.
Muitos acertos
Realm of Ink ousou ao escolher um gênero já marcado por grandes nomes concorrentes, mas soube o que fazer e conseguiu criar uma experiência única e muito divertida. Mesmo à primeira vista podendo parecer semelhante a outros títulos, o jogo possui uma identidade bastante singular e entrega algo honesto para quem está jogando. Durante a gameplay, percebe-se que todas as peças se encaixam de maneira suave, o que torna todas as opções válidas e desperta no jogador a vontade de sempre tentar algo novo.
A possibilidade de rejogar uma partida já vitoriosa e testar determinada construção até seu limite máximo é muito divertida. Além disso, passa a sensação de que, mesmo após o término da partida, aquela combinação perfeita que o jogador conseguiu montar não foi desperdiçada.

Realm of Ink está totalmente traduzido para o português do Brasil. É possível remapear todas as teclas ao jogar com teclado e mouse. O título apresenta performance incrível e uma trilha sonora que envolve o jogador na atmosfera proposta. A experiência ao jogar é bastante completa, sem pontos que quebrem a imersão. A todo momento, o jogador se mantém entretido seja no combate, nos diálogos, nas cutscenes ou até mesmo parado observando a arena após derrotar um chefe. A arte do jogo é tão bem feita que é possível encontrar detalhes em todos os cantos.
Aqui vemos uma empresa que não teve medo de entrar em um gênero já dominado por gigantes consagrados. Em vez disso, trouxe sua própria versão, com identidade única. Desde o combate, os itens, a música, os cenários, os diálogos e tudo o que compõe Realm of Ink, percebe-se um cuidado e um apego genuíno com o que foi feito para ser entregue ao jogador. Portanto, este jogo é um prato cheio para todos os amantes do gênero roguelike.
Realm of Ink: Realm of Ink é um roguelike isométrico com combate ágil, personagens únicos e um profundo sistema de combinações de habilidades. Com direção de arte caprichada, variedade de inimigos e alta rejogabilidade, o jogo oferece uma experiência envolvente e honesta. – PolacoPesos