Black Flag Resynced (re)conquista com sua temática pirata e grandes melhorias
Foi no ano de 2013 quando a Ubisoft nos agraciou com talvez um dos melhores Assassin’s Creed (AC) até hoje, intitulado Black Flag. Com um parkour e combates divertidos, uma história de grande peso emocional e o elemento que mais cativou a todos: navegar.
A mecânica de navegar originou-se em Assassin’s Creed III, que foi muito mal-recebido, e as partes que envolviam usar um barco e seu combate naval não eram agradáveis, mas tudo mudou quando o pirata Edward Kenway e seus amigos surgiram no Caribe.
Mudou tanto que até originou a ideia do lançamento do conturbado Skull & Bones.
Um novo recomeço?
Agora, em 2026, a Ubisoft retorna com Assassin’s Creed Black Flag Resynced, um remake que apresenta não apenas melhorias gráficas, mas também mecânicas com o uso do novo Motor Gráfico Anvil, o qual utilizaram pela primeira vez em AC Shadows e agora mostra mais do seu potencial em mares caribenhos.
No início me questionava se era necessário, mas, após 40 horas jogadas, o modo como refizeram este clássico reviveu meu interesse pela franquia e espero que eles sigam o caminho certo. Caso eles não se percam novamente entre mudanças de estúdios e demissões.
A história de Assassin’s Creed Black Flag Resynced é focada em Edward Kenway, que assume a identidade de um Mestre Assassino traidor em busca de fortuna, glória e um local mítico chamado Observatório. A história se passa durante a Era de Ouro da Pirataria, entre 1715 e 1722, tendo como cenário o belo Caribe. O Animus ainda existe, mas fica totalmente em terceiro plano; o foco é no período do passado, com poucas coisas referentes ao sistema do Animus e com a adição de quatro missões inéditas.

Um jogo conciso
As únicas partes que quebravam o ritmo do Black Flag original eram exatamente quando se saía do Animus e nos deparávamos com os tempos atuais, dentro da Abstergo, mas com um “protagonista” novo, já que o anterior – Desmond Miles – havia morrido no final de Assassin’s Creed III. Era apenas um mistério entediante que levava a lugar nenhum; desde então, as partes fora do Animus nunca mais fizeram sentido.
O foco na história de Edward deixou o jogo mais interessante, mesmo com as missões e referências de Animus. Sinto que elas estão ali na dose certa, o que pode ser muito bem mantido dessa maneira em títulos futuros.
Além dessas missões, também incluíram outras adicionais que complementam muito bem a narrativa do jogo, além de reforços e armas inéditas para o barco junto dos Oficiais Navais. Objetivos secundários do original foram mantidos, como Contratos de Assassinatos, Contratos Navais e Caça aos Templários.
Tudo isso fica disponível em um ritmo confortável e orgânico, sem muita enrolação, assim como os equipamentos principais e de apoio que passaram por uma ótima repaginada com pequenas ressalvas.

Responsivo, brutal, mas muito simples
Equipado com um par de espadas, a lâmina oculta, pistolas e outras bugigangas, Edward Kenway se torna o pirata mais temido do Caribe. O combate de Assassin’s Creed Black Flag Resynced passou por uma enorme repaginada, tanto para o bem quanto para o mal (mais bem do que mal), com o uso de um sistema de postura nos inimigos, no qual basta quebrar a defesa e será possível executá-lo independentemente da vida restante, seja ao aparar (parry) perfeitamente o golpe, dar uma rasteira para derrubá-lo ou chutar e fazê-lo bater na parede. Isso torna toda briga com um ritmo natural, mas ao mesmo tempo muito fácil; mesmo aumentando somente a dificuldade do combate, a partir de certo momento qualquer conflito que não fosse com chefe – que não são muitos – começa a se tornar trivial.
Além da abordagem agressiva, a especialidade da franquia Assassin’s Creed é a sua furtividade mesclada com parkour, o que também apresenta pontos positivos, mas com uma IA que ainda deixa muito a desejar.
A movimentação e o parkour de Assassin’s Creed Black Flag Resynced me remeteram à mesma de AC Unity, uma das melhores da franquia até então; basta segurar um botão para o personagem escalar seguindo o seu direcional ou descer sem se pôr em risco ao segurar outro.
As sequências furtivas (stealth) do jogo, especialmente as missões de “seguir/ouvir o alvo”, foram repaginadas e agora funcionam mesmo se o jogador for visto. Ainda há opções de palheiro, bancos e grupo de dançarinas para se esconder, mas nada ganha de acompanhar pulando pelas árvores e telhados.

Em comparação com outros títulos singleplayer atuais, a IA dos jogos da Ubisoft precisa muito de umas melhorias. Mesmo ao aumentar a dificuldade do Stealth do jogo, a única diferença é o inimigo ver o jogador mais rápido; nada afeta suas atitudes ou ao investigar barulhos e “vultos” que puxam o corpo de seu colega para os arbustos.
O combate naval, por outro lado, continua tão bom quanto me lembro em 2013. Claro que as melhorias e ajustes foram muito bem-vindos, assim como a adição de cinco novas músicas para a tripulação cantar e a própria roda de seleção para escolher entre elas ao navegar pelos mares. Tudo muito responsivo e com dificuldade na medida certa.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced também apresenta um mapa de tamanho agradável, sem ser desnecessariamente grande, mas grande suficiente para ser explorável. Além de manter sistemas de exploração e combate simples, sem a complexidade de RPG como em Origins, Odyssey e Valhalla.

Assassin’s Creed Black Flag Resynced pode ser um bom recomeço
A ideia de criarem uma nova versão do Assassin’s Creed mais aclamado não deve ter existido sem ter um plano pela frente. É possível recuperar as estribeiras de uma publisher/estúdio com remakes pontuais e bem executados de suas franquias; a Capcom é o melhor exemplo disso nos últimos anos.
O jogo está muito bem localizado e dublado em PT-BR com interface e legendas. A linguagem, por ser da época, pode causar estranheza no início, mas se acostuma.
Se a Ubisoft jogar as cartas certas, o plano de Resynced para todo AC pode resultar em um futuro primoroso, desde o primeiro com Altair e atualizando muita coisa ali ou até mesmo a trilogia de Ezio em (talvez) uma coisa só.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced passou por excelentes melhorias e provou para si mesmo que todo o enredo do Animus pode ser deixado de lado para focar no que realmente importa.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced já está disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S.
Assassin’s Creed Black Flag Resynced: O remake aprimora gráficos e mecânicas com o Motor Anvil, mantendo o foco total na história de Edward Kenway. O combate e parkour foram refinados, mas a IA ainda carece de melhorias. Apesar de alguns bugs encontrados, nada frustrou a jogatina até o fim. – Otto