A.A.U. é um shooter em primeira pessoa com perspectiva bodycam e elementos de terror. Produzido pela Raspberry Studio e distribuído pela IZilla Games, o título já se encontra disponível em acesso antecipado na plataforma Steam.
O gameplay
Tratando-se de um shooter com elementos de terror em primeira pessoa, A.A.U. Blacksite entrega uma experiência promissora, porém ainda muito crua. Atirar no jogo é satisfatório, mas causa pouco impacto nos inimigos. A movimentação possui peso considerável, o que confere um tom realista e divertido porém, essas limitações se aplicam apenas ao jogador. Os inimigos, por sua vez, apresentam velocidade de reação excessivamente alta, movimentação errática, não reagem aos tiros recebidos e utilizam a mesma arma durante todo o jogo.
Um elemento muito utilizado em A.A.U. é posicionar o jogador em corredores e salas pequenas, oferecendo poucas opções de movimentação, ao mesmo tempo que coloca inúmeros inimigos em linha ou espalhados. Isso, por vezes, transmite a sensação de que o level design não foi tão bem pensado para surpreender o jogador, mas sim apenas para sobrepuja-lo. Ainda sobre o design de níveis de A.A.U., os desenvolvedores deixam caixas de munição e cura espalhadas pelo mapa, fazendo com que o gerenciamento desses recursos não se torne um problema.

O jogo alterna entre momentos de terror e confrontos contra hordas de inimigos, o que torna previsível quando um susto pode ocorrer. Ao mesmo tempo, as cenas não são suficientemente macabras para criar uma sensação genuína de pânico no jogador. Em contrapartida, a parte sonora é bem trabalhada e responsiva, de modo que, em alguns momentos, os ruídos dos inimigos podem provocar certos jumpscares.
A otimização ainda pode melhorar, mas não chega a ser um ponto negativo. No entanto, o jogo apresenta crashes constantes e alguns engasgos à medida que o jogador avança pelo mapa.
Um pouco de tudo
Uma das falhas de A.A.U. é sua ambição em entregar muito sem conseguir polir o suficiente, resultando em algo aceitável, mas não bom. Como o jogo não apresenta grande dificuldade, os desenvolvedores compensam com inimigos que exigem muitos tiros para serem abatidos. Em diversos momentos, surgem mais de dez inimigos simultaneamente com o objetivo de eliminar o jogador. Mesmo em situações furtivas, ao abater o primeiro inimigo, todos já ficam alertas e começam a atirar incessantemente.

O ponto forte que o jogo poderia alcançar seria criar uma atmosfera de terror psicológico, na qual o jogador se mantivesse em constante estado de alerta, temendo que algo pudesse aparecer a qualquer momento ou que um inimigo surgisse por trás. Infelizmente, todos os momentos mais focados nesse aspecto são fracos e sempre indicam com algum som que algo está se aproximando, de modo que nada pega o jogador de surpresa. Uma situação recorrente é a de um inimigo monstruoso observando o jogador de um ponto elevado. Ao atirar nele, nada acontece, o que deveria transmitir a sensação de estar sendo observado, mas acaba não tendo impacto algum.
Algumas mecânicas precisam de muitos ajustes em próximas atualizações, como a direção. Por não ser um elemento principal do jogo, essa parte acabou ficando muito discrepante em relação ao restante, apresentando-se como algo extremamente cru e distante da realidade. De um lado, temos uma movimentação muito boa e realista; de outro, um carro cujo centro de massa durante a condução está localizado no meio do veículo, o que gera uma sensação bastante estranha ao dirigir.
Futuro de A.A.U.
Temos um jogo em fase alpha com um futuro bastante promissor. As mecânicas principais do jogador são bem executadas, e o tom realista da movimentação, aliado à câmera no estilo bodycam, pode surpreender positivamente caso os desenvolvedores consigam aprimorar o comportamento dos inimigos e focar nos elementos de terror. Neste primeiro acesso antecipado, o jogo acabou se assemelhando mais a um título puramente de tiro.
A temática de ser um agente infiltrado em território inimigo é interessante, mas falta identidade, e ela não se mistura bem com o ar de terror que o jogo propõe. Para que a experiência se torne coesa, é necessário integrar os momentos de frenesi de tiroteios com inimigos às experiências mais densas e centradas no terror.

Considerando o acesso antecipado e o valor cobrado, A.A.U. é um projeto bastante promissor e que vale a pena acompanhar à medida que os desenvolvedores continuam atualizando o jogo. Com muito potencial e um forte feedback da comunidade, A.A.U. tem tudo para reacender um gênero que foi famoso por grandes nomes do passado.