Review – Mark of the Deep
À primeira vista, Mark of the Deep apresenta claras referências de TUNIC, Death’s Door e Curse of the Dead Gods apesar de muitos se referirem ao “Hades brasileiro”, mas não se equivoque, essa mais nova aventura da Mad Mimic não é um rogelike. Trata-se de um Metroidvania isométrico que pode até pecar por uma estética já vista, mas esconde camadas de exploração e desafio que valem a imersão.
Naufrágio e maldições
Você é Rookie, um marinheiro perdido em uma ilha misteriosa após o naufrágio de seu navio. Armado com um anzol tamanho família e uma esquiva infinita, seu objetivo é resgatar a tripulação sobrevivente e escapar do local antes que todos sejam amaldiçoados – repleto de criaturas lovecraftianas, ruínas ancestrais e inimigos perigosos prontos para esmagá-lo.
A narrativa é simples, servindo de plano de fundo para a exploração, mas há intriga nos grandes tabletes luminosos espalhados pela ilha, que revelam segredos sobre os monstros e uma civilização perdida, além de alguns personagens encontrados ao longo da aventura que trazem mais da história daquele lugar, assim como algumas missões paralelas.
Vale destacar que Mark of the Deep conta com um elenco majoritariamente formado por dubladores brasileiros que são criadores de conteúdo e influencers. Embora algumas atuações soem artificiais – como leituras frias de texto, sem interpretação aprofundada –, outros personagens brilham com performances marcantes e imersivas.
Combate dinâmico e progressão um pouco confusa
Mark of the Deep oferece uma progressão persistente e famigeradamente conhecida: morrer te leva de volta ao último obelisco de descanso, mas os atalhos e itens coletados permanecem, assim como os inimigos são resetados (menos os chefes).
O combate exige timing e espaçamento precisos, devido aos inimigos rastrearem seus movimentos, e esquivas prematuras resultam em porradas desnecessárias. Aos poucos, novos equipamentos surgem, como uma pistola de pederneira (útil para dano concentrado e ativar interruptores distantes) e relíquias que ampliam habilidades, como ganchos estendidos ou esquivas mais ágeis. Outros equipamentos encontrados funcionam tanto no combate quanto para acessar novas áreas que antes estavam bloqueadas por alguma coisa.
Os chefes são o clássico desafios de reconhecimento de padrões, considerando que não existem muitos golpes diferentes realizados entre os mesmos. Apesar de um outro apresentar mecânicas e ataques próprios, ainda senti uma certa carência de chefes únicos, seja em seu visual quanto em seus padrões de golpes.
Beleza segmentada e fácil de se perder
O visual isométrico lembra mesmo Hades e outros títulos já citados – belo e com ótimas características entre cada bioma explorado. A trilha sonora e os efeitos de combate cumprem seu papel para criar uma boa imersão em seus momentos de calmaria, combate ou exploração.
Ao longo da aventura, é possível se deparar com rotas que não são possíveis avançar dependendo do momento que se encontra e equipamentos que têm no momento, logo, é necessário voltar mais tarde. Entretanto, sinto que o maior problema do jogo é a falta de um mapa. Eu demorava mais tempo procurando tais caminhos opcionais para adquirir itens de melhoria do que tentando enfrentar um chefe com o nível de equipamento atual.
A satisfação de desbloquear atalhos e expandir o acampamento (com NPCs resgatados) compensa parte da confusão criada por não existir um mapa no jogo.
Mark of the Deep é uma Jóia (quase) escondida no mar da similaridade
Mark of the Deep não reinventa a roda, mas entrega uma experiência sólida para fãs de desafios isométricos meticulosos. A exploração é recompensadora, o combate exige disciplina e a progressão constante mantém o engajamento.
Apesar da questão da falta de mapa e “repetição” de chefes, o jogo da Mad Mimic prova que, às vezes, mergulhar no familiar pode ser tão gratificante quanto descobrir algo totalmente novo.
Fãs de Soulslikes que apreciam exploração interligada e combate de ação, mesmo com uma dose de frustração inicial, a experiência pode ser gratificante caso encare o desafio. Quem busca uma inovação radical, porém, pode achar a ilha um pouco rasa demais.
Mark of the Deep: Mark of the Deep mescla Metroidvania e elementos Soulslike que peca na falta de mapa, o que pode causar certa confusão. Entretanto, a exploração recompensadora e chefes alguns chefes entregam uma experiência sólida para fãs do gênero. Ideal para quem curte desafios precisos, mesmo sem inovar profundamente. – Otto