Review – GRID

Apesar do gameplay divertido, jogo entrega experiência vazia

O quarto jogo na série, GRID é um game de corrida de rua que mistura elementos de arcade com a física realista da série F1, produzida pela mesma companhia(Codemasters). Com consultoria do veterano piloto Fernando Alonso, o jogo conta com gráficos impressionantes e uma jogabilidade redonda, que se equilibra perfeitamente entre o arcade e o simulador. A notícia ruim é que as qualidades de GRID param por aí. Com apenas dois modos de jogo, um offline e um online, GRID rapidamente se torna uma experiência repetitiva e sem sal.

Talvez não exista sentimento pior do que “Isso poderia ter sido bom”. Seja com um filme, com uma série ou nesse caso, com um jogo, a sensação de que há potencial em determinado produto, mas que esse potencial não é explorado é frustrante. GRID não é um jogo ruim, pelo contrário. Seus gráficos são de tirar o fôlego, a medida que a corrida avança é impressionante notar as marcas realistas que as colisões e os acidentes imprimem na lataria dos carros. Entretanto, a falta de uma narrativa minimamente coerente faz com que as corridas que compõem o jogo pareçam jogadas a esmo, sem qualquer tentativa de conectá-las.

O modo single-player é divido em 6 categorias, cada um contando com uma dezena de corridas. A divisão é confusa, agrupando estilos de carros distintos em um uma única categoria. Ao pilotar os diversos veículos, é claro o cuidado que a desenvolvedora teve com a física dos carros. Pilotar cada modelo é uma sensação única, tornando cada corrida singular em seu approach. O game exige do motorista uma adaptação em seu estilo de pilotagem, para que o máximo seja tirado de cada carro. A customização dos veículos também é interessante, assim como a quantidade de modelos disponíveis para o jogador.

Dentro do jogo, seu personagem faz parte de uma equipe. É possível escolher o seu companheiro de equipe, assim como criar rivais a partir do sistema Nemesis. O sistema Nemesis atua durante as corridas. Caso sua pilotagem seja muito agressiva contra determinados pilotos, esses competidores se tornarão inimigos na pista, devolvendo a sua agressividade. O jogo promete que cada adversário reagirá de maneira diferente ao ser colocado como seu nêmesis, entretanto, em nenhum momento o sistema apresentou qualquer desafio que pudesse me incomodar. Se meu carro colidisse demais com outro competidor, o jogo me informava que aquele agora era meu inimigo. Mas era isso. Eu o ultrapassava e não tomava conhecimento do meu adversário até o final da corrida, quando conferia o grid final.

São questões como essas que acabam tornando GRID uma experiência frustrante. Por um lado há um refinado gameplay, que deveria proporcionar horas e horas de diversão. Do outro lado, a falta de recursos narrativos, assim como a repetição de pistas e desafios, tornam o jogo massante. Como jogo base, GRID apresenta um gameplay sólido e gráficos incríveis. Se você procura um simulador de corrida, e apenas da corrida, GRID é a pedida perfeita. Entretanto, se o que você procura é a experiência das corridas, de intrigas de pilotos a campeonatos emocionantes, GRID vai soar como um jogo feito às pressas, que peca em sua apresentação e reprodutibilidade. Nota: 6,5/10 placas de trânsito desnecessárias.

Kaio Augusto

Uma pilha gigante de referências. Perdido entre produções orientais e ocidentais, seja nos games, música,literatura, cinema ou quadrinhos. Gasta horas pensando em aventuras de RPG de mesa, teorias malucas ou apenas o que fazer em seguida.